Rádio educativa precisa ser uma alternativa ao que já temos

Por: Paulo Albuquerque

25/06/2018 - 10:54h

Há uma série de direitos humanos e sociais garantidos nas legislações do país, dos estados e municípios para o benefício da sociedade; e eles são um bom contrapeso ao habitual arrocho que o cidadão sofre diante de tantas responsabilidades impostas pelo Estado.

Não dá pra dizer que o Brasil esteja em débito quando se refere a direitos e garantias individuais e sociais. Ao contrário, a Constituição de 1988, também chamada de Carta Cidadã, inseriu entre normas e princípios uma boa gama de novos direitos. Alguns, até, nem chegaram a ser utilizados ainda.

Chamo a atenção para um, em especial: o direito à informação. E aqui não quero ficar preso à informação como a gente tradicionalmente a vê, como transmissão de notícias. Direito à informação é bem mais do que isso; vejo como uma garantia de acesso à pluralidade, à diversidade, ao universal e ao local.

O governo do Tocantins tem uma fundação de comunicação, que tem um canal de rádio e um de televisão, a Redesat. Sei que há um imbróglio jurídico entre Redesat e Unitins nunca resolvido, não dá pra saber com certeza quem manda por lá. Mas para o que quero expor basta sabermos que tudo é bancado pelo Estado, ou seja, são os nossos impostos que pagam os servidores e o funcionamento da estrutura toda.

Sendo o cidadão quem paga, defendo que os conteúdos precisam atender a interesses públicos e não aos interesses do público. “Ah, dirão, mas isso não gera audiência”. Que se dane a audiência! Isto mesmo. Nos canais de comunicação bancados pelo cidadão devem predominar, sendo bem sucinto, conteúdos que informem e que ao mesmo tempo elevem o ser humano.

Neste quesito, sou crítico de decisões governamentais que surgem de tempo em tempo paridas por gente que não tem a menor noção do que seja comunicação pública, e que determinam que locutores, repórteres, programadores, apresentadores entre outros profissionais da área se refestelem e embalem o povo ao sabor do gosto duvidoso da indústria do modismo, do sensacionalismo, que geralmente atua de forma a dominar a tudo e a todos.

Assim, preciso anotar a reviravolta positiva que o governo interino de Estado providenciou na rádio Palmas FM, a 96.1. Acabou com a onda dos propagandistas e instituiu uma programação que condiz mais com o que se espera de uma rádio educativa. Ora, a programação musical não pode viver apenas dos “sucessos” da moda. Ponto.

A 96.1 garante, com essa medida, espaços cada vez mais generosos para as produções regionais e para as músicas perenes, clássicas, que podem ajudar a recolocar a música no seu pedestal de arte. E não estou falando aqui de gênero musical, especificamente. Há clássicos em todos os estilos.

Vida longa, portanto, à iniciativa da gestão da Redesat e ao chefe do Executivo, ou a quem quer que tenha sido iluminado pelo sentimento de responsabilidade. Já tivemos muitas idas e vindas neste item, pois infelizmente estamos à mercê dos governantes e ao sabor de seus humores.

Eu ergui uma trincheira neste sentido. E que não venham dizer que penso em ditar cultura. Cultura não deve ser ditada. Isto é ditadura cultural. O que defendo é justamente a democracia; e quem anda ditando o que devemos escutar é justamente quem está do outro lado do balcão.

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