Engraçado…

Por: Getúlio Dutra

26/11/2015 - 17:32h

 

 

Não vou falar nada engraçado; estou meio chato – mais do que o habitual -. Mas vou falar mesmo ainda chato e enjoado, azar o de vocês.

 

 

De vez em quando acho uma daquelas caixinhas esquecidas lá no fundo da minha caixa-mãe, num corredor empoeirado da alma, que a gente não visita há séculos, portas rangendo e eu com medo de abri-las e encontrar um amor eterno de inverno ou um amigo antigo em perigo, abandonado, o coitado.

 

 

Abri uma e de lá pularam saltimbancos coloridos e saltitantes, os meliantes, se enfiando debaixo das cristaleiras, sacudindo as compotas de goiaba que minha avó, a Cezaltina – que perfídia! -, fazia e escondia dos netos, temendo serem devoradas antes de as visitas chegarem na hora do víspora*.

 

 

Há pouco abri outra caixinha dessas, meio esquecida num cantinho, achada por uma boa amiga que passava uma vassoura e juntava uma tesoura, na gaveta da máquina de costura Singer, de pedal, até parece um sinal!

 

 

Não tinha grande coisa nessa caixinha, mas a decepção que lhe forrava o fundo valerá o esquecimento; foi um tormento.

 

 

Saindo dos corredores do meu eu tropeço numa garrafa de guaraná frisante, mas não tinha o cachorro-quente com o molho da minha avó.

 

 

Vou fechar essa porta, outro dia volto. Outro dia, outro dia, agora está anoitecendo e o anoitecer nos recomenda casa, cama, sono, sopa, dormir, amigos e amigas.
* Significado de víspora: Jogo de azar mais conhecido hoje como loto ou bingo.

 

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