Confabulações

Por: José Maciel

28/01/2016 - 11:48h

 

 

Dilma: padrinho, alguns membros do PT estão criticando o meu governo, aliás, nosso, ameaçando-o com rebeliões se eu não der mais atenção às orientações do partido – o que faço?

 

 

Lula: companheira Dilma, eu vou conversar com as lideranças do partido no Congresso, principalmente com os que ensaiam as rebeliões, em seguida volto a conversar com você.

 

 

Dilma: “Presidente”, tem de ser logo antes que contamine outros parlamentares, inclusive, de partidos aliados que já sinalizam unir-se à oposição. Se isso acontecer, não há como impedir a aprovação do impeachment.

 

 

Lula: calma, companheira! Vou usar a minha “otoridade” de ex-presidente e de experiência política para acalmar os deputados e senadores, é claro que você terá de ouvir mais “eles”, fazer-lhes algumas gentilezas, como eu fiz nos meus oito anos de governo.

 

 

Dilma: padrinho, mas eu não tenho essa diplomacia que o senhor tem, sabe usá-la e acalmar os companheiros rebeldes.

 

 

Lula: companheira Dilma, quem tem a chave do cofre e a caneta milagrosa consegue tudo que quer. Siga a voz da experiência. Basta isso para os achacadores aclamarem os ânimos. Quando fui presidente era assim que eu fazia e sempre seu certo.

 

 

Dilma: vou fazer, mesmo assim, estou com medo da aprovação do processo de impeachment, porque muitos dos ex-aliados viraram oposição e se juntaram ao Eduardo Cunha que aposta na minha deposição do Palácio. Imagino que Temer está por trás de tudo isso.

 

 

Lula: companheira Dilma, eu também estou preocupado com tudo que está acontecendo com a nossa organização. É a Lava-Jato; a Catilinárias; a Zelotes e outras que virão, principalmente, com as delações de Ceveró, do Delcídio, do meu compadre e amigo José Carlos Bumlai. Eles sabem demais e podem não querer assumir sozinhos.

 

 

Dilma: já pensei nessas possibilidades e, como o senhor tenho sofrido insônias, pesadelos; perdi apetite para comer e estou bastante confusa. Procuro não demonstrar fragilidade para os meus eleitores, mas as minhas expressões faciais denunciam o meu estado de espírito.

 

 

Lula: eu também estou sentindo um grande desconforto com aquelas operações. Tenho ficado em silêncio para não despertar suspeitas contra mim, mas estou preocupado com as delações que virão pela frente. As investigações estão fechando o cerco e nós, num beco sem saída;

 

 

Dilma: “presidente”, o que será de nós fora do poder?

 

 

Lula: essa possibilidade é uma das que mais me atormentam, estou perdendo a capacidade de raciocinar e encontrar saída para me livrar dessas bombas: Lava-Jato e delações do Cerveró, Bumbai e Delcídio.

Olha companheira Dilma, Cerveró está sendo injusto comigo, depois de tudo que fiz por ele numa troca de favores, nomeando “ele” para uma das Diretorias da BR Distribuidora em 2008, depois de vários anos na Diretoria da área internacional da PETROBRÁS;

 

 

Dilma: padrinho, você falou em favores do Cerveró. Como assim?

 

 

Lula: pois é, companheira Dilma: combinamos que ele seria nomeado para a Diretoria da BR Distribuidora e em troca, ele desviaria recurso da subsidiária para pagar uma dívida do PT, junto ao Grupo Schain, avalizada pelo meu compadre e amigo Bumlai.

 

 

Dilma: que dívida era essa, padrinho?

 

 

Lula: um empréstimo para o caixa 2 de sua campanha e de outros companheiros em 2010. Por isso não foi contabilizado nem prestado contas à Justiça Eleitoral. Foi um dinheiro salvador para comprar votos em todo Brasil, principalmente no Norte e no Nordeste.

 

 

Dilma: padrinho, o Cerveró está fechando acordo de delação, aí é que reside o perigo ele dedurar nós. Se isso acontecer, estamos perdidos. Ele já deu sinais de que vai por a boca no trombone;

 

 

Lula: se ele fizer isso, a casa desaba em nossa cabeça. A estas alturas, ele não tem nada a perder. Ao contrário, ganha redução da pena. “Tô” preocupado, companheira Dilma, o nosso conforto no Poder parece tá chegando ao fim.

 

 

Dilma: presidente, use de suas habilidades para evitar que Cerveró, Delcídio, Bumlai e outros prestes a delatarem e arrastem nós dois para o buraco;

 

 

Lula: vou tentar, mas tá cada vez mais difícil segurar as línguas dos delatores. Acho que não vamos escapar das deduragens de nossos ex-aliados e agora carrascos tendentes a não poupar ninguém;

 

 

Dilma: cruz credo, padrinho, assim o senhor me deixa mais preocupada. Já pensou nós fora do poder? Será que o Temer está por traz disso?

 

 

Lula: eu não duvido. Ele disse que não, mas é difícil acreditar. Temer é esperto e dá nó em goteira.

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