Bobagens

Por: Getúlio Dutra

20/11/2015 - 16:23h

Não consegui decifrar, ainda, meu código genético e o que ele pretende comigo que já me levou a lugares malucos com pessoas mais malucas e continua a me surpreender com novidades a cada dia que vivo.

 

Recordo, sempre, de um conselho que recebi quando ainda estava no berço, enxergando tudo muito azulado e não entendendo aqueles ruídos que os seres ao redor emitiam, barulhos ora agudos, ora graves.

 

Todas aquelas criaturas pareciam eufóricas me olhando e aproximando seus rostos do meu. Naquele alegre burburinho escutei alguém com cheiro de lavanda soprar no meu ouvido: “Não esqueça: estás aqui pra te divertir”!

 

Acho que tenho seguido a sugestão de quem quer que tenha sido o conselheiro, recebendo limões e os transformado em caipirinha ou ralado no musse de abacaxi.

 

Às vezes tem uma pedra no caminho; se não consigo erguê-la na força, contorno pelo lado e sigo adiante; descobri que se parar tentando decifrar o porquê de ela estar ali perderei meu tempo, que descobri, também, ser muito precioso.

 

Juntei os ‘pés-na-bunda’ que levei durante a vida e guardei-os numa estante enorme, no fundo da minha amada cabana e, de vez em quando vou visitá-los.

 

Tênis, alguns Ramarin salto dez e até um Prada salto quinze, acreditem, ó infiéis! Mas a maior parte dos ‘pés-na-bunda’ vieram com tamancos e rasteirinhas; muito apropriadas as rasteiras rasteirinhas.

 

Nunca fiquei muito tempo lamentando quem foi embora, levantava logo pra esperar quem estava chegando. Às vezes demorava um pouco, mas quem se preocupa com a solidão se fizer dela uma aliada e nunca uma inimiga, não é?

 

Desisti de fazer da felicidade uma causa, me pareceu mais razoável transformá-la em consequência, resultado de cada amigo que conquisto, cada abraço que dou, cada risada que provoco em alguém.

 

Já me preocupei em delinear músculos e descuidei do espírito, que é quem me faz ser o que sou. A embalagem é só a apresentação, o espírito é a essência, o conteúdo, o que se perpetuará nos que te cercam.

 

Seria frustrante que alguém lembrasse de mim pela bela cara ou pelos músculos definidos. Se alguém lembrar por uma gargalhada ou alguma palhaçada que fiz, me sentirei recompensado, feliz.

 

Ops, acordei!

 

 

 

Busca rapida:

“Os comentários aqui postados são de inteira responsabilidade de seus autores, não havendo nenhum vínculo de opinião com a Redação da equipe do Jornal Cocktail”