Até onde a radicalidade pode nos levar?

Por: Ricardo Almeida

03/11/2015 - 11:36h

As palavras podem possuir muitos sentidos. Em um dicionário “comum” a palavra radicalismo, o efeito de ser radical, é definida como: “Qualidade ou conduta de intransigente. = INFLEXIBILIDADE, INTOLERÂNCIA, INTRANSIGÊNCIA”. Já em um dicionário de filosofia, encontramos a seguinte definição: “Positivismo social que se desenvolveu na Inglaterra entre o fim do século XVIII e a primeira metade do século XIX […] Esta corrente valeu-se do positivismo filosófico, do utilitarismo moral e das doutrinas econômicas de Matheus e Ricardo para defender reformas ‘radicais’ na organização do Estado”.

 

A radicalidade, por sua vez, é uma característica das ciências, inclusive da própria filosofia, pois, esses são saberes radicais, porque buscam à raiz dos problemas. E qual seria a raiz dos males ao qual o Brasil está mergulhado?

 

Com certeza, como já escrevemos há muito tempo, é uma questão de educação! Paradoxalmente, como sempre, a própria educação causa intolerância ao meio à crise em que vivemos.

 

A indignação que o tema da redação e algumas questões do ENEM causou a muitos é de assustar e realmente colocar todos em uma profunda reflexão e não apenas, como uma grande maioria fez, entrar “gaiato no navio” e sair reclamando e reproduzindo falas insanas, como por exemplo o vídeo de uma estudante, mal educada, que demonstrava toda sua revolta com os conteúdos da prova.

 

Possuir ou adquirir conhecimento é também “visitar” os diversos tipos de pensadores da história humana, isso, não significa que tenho ou devo concordar com esses pensamentos. Porém, para colocar-me contra o pensador tenho que no mínimo saber qual é a posição que ele defende, e mais que isso, entender os motivos, a circunstâncias históricas em que esse pensar surgiu. Não posso entender em toda sua extensão Aristóteles se não compreendo o ambiente no qual ele viveu.

 

Essa mesma fórmula se aplica não somente a Simone de Beauvoir, como também a todos os outros pensadores que foram citados na prova do ENEM, entre eles: Max Weber, Thomas Hobbes, Nietzsche e Paulo Freire.

 

Atacar a figura do pensador, levar para o pessoal, desconsiderando o seu pensar é uma radicalidade que defino como burra. Tenho presenciado vários ataques a vida de Karl Marx e agora a Simone de Beauvoir em uma tentativa de desconstrução da obra que deixaram à humanidade. Essa é o tipo de radicalidade que não serve para nada, ao contrário, é absolutamente destrutiva, e sendo assim, nada construtiva.

Simone colocou as mulheres na pauta das discussões, serviu de base para uma luta onde se exigia a igualdade entre os sexos, onde as mulheres lutavam para não serem vistas como meros objetos sexuais; por isso, a famosa grande fogueira de soutiens.

 

Com certeza muitas mulheres de hoje precisariam conhecer esse pensamento, pois, ao observar o comportamento de algumas podemos notar uma ação contrária, ou seja, muitas acham “valoroso” serem vistas como objetos sexuais; pois é, e tudo vira um “fetiche a mercadoria”!

 

Vivi em uma época durante o “Regime Militar” que obras como as de Jorge Amado, Erico Veríssimo eram consideradas “comunistas” e que, por isso, deveriam ser banidas. Meus pais que, possuíam essas obras, tiveram que as esconder até passar esse regime de exceção.

 

Para que serviu isso? Penso que para “burrificar” uma grande parte de nossa população que não pode conhecer importantes obras para sua formação intelectual.

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