Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora

Por: Paulo Albuquerque

29/05/2018 - 10:27h

Há cinco anos abriu-se uma fenda por onde se pode ver a verdadeira face da sociedade brasileira. E, para os adeptos da ideia de que o ‘brasileiro é um cidadão cordato, da paz’, as duas semanas de junho de 2013 trouxeram inquietude. O brasileiro sabe gritar, xingar, quebrar o pau e lutar por dias melhores.

 

Era uma revolução que se iniciava naqueles dias, e só não foi mais profunda porque o governo reagiu e concedeu alguns benefícios emergenciais. E teve também a astúcia e maquiavelice dos grandes meios de comunicação do país que, amedrontados (ou pagos para agir assim) passaram a mostrar logo após início de todo o processo apenas as consequências (óbvias de uma revolução), sem dar qualquer atenção ao que estava causando tudo aquilo.

 

Vejo agora que 2013, mesmo que o povo não tenha planejado necessariamente assim, foi um ensaio, e que a providência está dando outra oportunidade para a sociedade brasileira virar a mesa. Os governos são os mesmos, tiraram a Dilma e sua trupe, mas nada mudou, pois os ladrões ainda estão lá. Os políticos que tiraram a Dilma (que começou a cair em junho de 2013) permanecem no comando, e assim não houve as mudanças que o povo precisa.

 

E quais são estas mudanças? É algo ideológico, algo entre esquerda ou direita?

 

Não é nada disso. Ninguém está preocupado com ideologia política neste momento. O que o povo vem dizendo claramente, e só os idiotas não ouvem, é que é para acabar com a roubalheira. Ninguém mais aguenta pagar imposto ou taxa para os barões viverem como reis a custa do dinheiro que sai do suor do povo. É só isso. Neste grupo de malandros estão os políticos com mandato, do menor município até os que ficam em Brasília; gente do poder judiciário, que recebe altos salários e adora propina; empresários corruptores mancomunados com ladrões do poder etc.

 

A imprensa, infelizmente, está mais uma vez prestando um desserviço ao Brasil e não acredito que aja assim por inocência, porque, sinceramente não acredito que jornalistas com tantos anos de experiência em produção de conteúdos não tenham percebido que a greve ou paralisação não é ‘dos caminhoneiros’, apenas. É a esmagadora maioria do povo brasileiro que cansou de ser capacho. A pauta, na verdade, está desviada. A angulação não é esta.

 

Os trabalhadores do país não querem mais remédios que não curem o mal. O que se vê é uma revolução em curso e eu duvido que este governo tenha competência para impedir, porque também duvido que tenha as forças policiais a seu lado para usar contra o povo. Chegou a hora de a onça beber água. Chegou, depois de mais de 500, a oportunidade do povo dizer como quer o seu país.

 

Se não me preocupa o fato de que vidas que podem ser perdidas em um processo como esse?

 

– Me preocupa muito mais com as vidas que foram irremediavelmente perdidas nas filas dos hospitais que não ofereceram a cirurgia a tempo; nos centros de recuperação que só amontoam gente como se fossem restos da sociedade; nas escolas que fingem tratar com dignidade os filhos dos pobres; e em tantas outras frentes de atuação dos serviços públicos que não funcionaram e não funcionam e que, por isso, vão tirando a vida das pessoas, dia a dia.

 

Sei que o remédio pode ter um gosto amargo, mas sou obrigado a reconhecer que, mais amadurecida, a revolução em 2018 pode dar certo. Sei também que os caminhoneiros são uma espécie de aríete, muito útil ao povo brasileiro neste momento. E sei, por fim, que a solução poderia ser razoavelmente pacífica se os reis que inventaram este trono entendessem que chegou a hora deles abandonarem o local, ou será sangrenta, se assim não procederem.

 

Por tudo que tenho visto nas redes sociais sou levado a crer que a revolução está em curso e que não tem mais volta. Não acredito, infelizmente que a reforma aconteça por meios democráticos, pois quem está com o osso na boca não o larga. Então, eu estou preparado para dias muitos ruins, mas com a certeza que depois da tempestade virá a bonança.

 

Para finalizar, um ensinamento de Rousseau: Enquanto um povo é constrangido a obedecer e obedece, faz bem; tão logo ele possa sacudir o jugo e o sacode, faz ainda melhor”. Isto quer dizer o seguinte: o povo precisar ser livre, sempre; e não existe lei maior que a vontade dele quando unido em torno de uma vontade geral.

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