A meada

Por: Getúlio Dutra

01/02/2016 - 16:46h

 

Eu já perdi o fio da meada milhares de vezes, principalmente quando apresentava visíveis sinais de embriaguez – é com zê, mesmo, sacripantinhas – mas nunca soube o que era ‘o fio da meada’, nunca.

 

 

A meada era um rolo de fios tipo carretel que ficava ao lado das tecelãs, lá pelo século dezenove, que se perdiam em mexericos e fofocas e perdiam a porra do fio da meada. E encontrar, de novo, o fio e enfiá-lo na agulha da meada era um suplício.
 

Mas ainda perco o fio da meada quando tento desenvolver um raciocínio e algum chato interrompe, mostrando no uatizápi a piada do momento e as namoradas que não existem.

 

 

Normalmente uma piada velha e chata e tu tens que rir.

 

 

Daqui a pouco haverá outra e outras e tu estás refém dessa tecnologia que transforma cidadãos pacatos em terríveis malas informáticos.

 

 

Saudades da máquina de escrever, pelo menos ninguém ia pro boteco com máquina de escrever, até onde eu me lembre.

 

 

E raramente alguém perdia o fio da meada.

 

 

 

 

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