2016: o que esperar?

Por: Ricardo Almeida

08/01/2016 - 7:04h

2016 Calender on the red cubes

 

 

Conversando com amigos e conhecidos sobre o ano de 2015, em sua grande maioria a classificação que encontramos é a de “um ano para se esquecer”. As retrospectivas da mídia principalmente focadas no noticiário do país também não trazem um saldo positivo.

 

 

Esse colunista também não estava dando uma boa classificação para 2015, quando um noticiário me informa que um jornalista da BBC de Londres afirmava que o ano que passou foi um bom ano para um “ser humano médio”. Isso me inquietou e me fez ir em busca de uma “razão lógica” para tal afirmação.

 

 

A Organização das Nações Unidas (ONU), em seu relatório sobre 2015, resume o ano com a seguinte frase: “ano de avanços e horror”.  Para a ONU, o deslocamento recorde de mais de 60 mil refugiados, apesar de ser um horror, mostra um avanço nas relações entre as nações.

 

 

Outras conquistas, para essa organização, foram os tratados sobre o desenvolvimento sustentável, o estabelecimento de uma agenda para o financiamento do desenvolvimento e o acordo para erradicação da pobreza.

 

 

Outros analistas afirmam que a fim da era Obama promete deixar saudades, pois o primeiro presidente negro (ou seria politicamente correto dizer: afrodescendente?) realmente deixa muitos avanços sociais nos EUA e no mundo.

 

 

E o Brasil? Bem como afirmamos no início, a coisa abaixo da linha do equador não foi nada fácil e aponta para um 2016 ainda mais complicado.

 

 

Nesses últimos tempos tivemos manchetes pouco animadoras: escândalos, violência, negligência consentida com a natureza que desaguou na lama da Mariana, de Brasília e do Brasil.

 

 

Vimos crescer a intolerância política e um florescer de desesperança. Não é difícil apontar de onde surgem essas coisas. A nossa política não tem partidos em sua concepção original. Por aqui temos um congresso formado pela bancada ruralista, da bala, evangélica, do sistema financeiro e principalmente a do próprio bolso! Como isso pode dar certo? Como podemos acreditar, ter esperanças e tolerância?

 

 

A transformação para pior dos partidos brasileiros é visível.

 

O PMDB, fundamental na transição do regime militar para a democracia, virou o grande balcão de negócios do poder; apoiou antes FHC e virou vice do PT. O PSBD, dissidência do PMBD, hoje está esfacelado divido e sem rumo. O antigo PFL, que virou Democratas, é hoje, como podemos perceber, um agrupamento de interesses pessoais sem nenhuma ideologia política.

 

Para piorar, podemos somar mais de 35 outros “partidos” que deixam o cenário mais difuso e confuso.

 

 

O PT, que um dia venceu o medo, plantou a esperança a destruiu. Muitos já conseguem perceber que era utopia, e outros já admitem que nem utopia um dia foi. O PT baluarte da moral e da ética afunda na lama da corrupção desenfreada e institucionalizada.

 

 

Para embaçar mais o cenário alguns movimentos sociais como o feminismo, defesa dos gays, dos negros e de qualquer outra “minoria”, se colocam como “socialistas”, infelizmente sem nenhuma percepção histórica, pois como se pode afirmar que o socialismo defendia essas minorias?

 

 

Infelizmente se antes precisávamos realmente ter uma “pátria educadora”, para evitar esse tipo de percepção errônea, pior ainda, vinda de uma geração que acreditávamos possuir uma educação de melhor qualidade, o que temos para o futuro indica o pior. O tal “currículo mínimo” que estão querendo implantar nas escolas brasileiras vai criar uma geração onde essas e outras aberrações serão “normais”.

 

 

O pior é que sinto hoje uma indignação misturada com uma falta de indignação, originária de uma falta de percepção da realidade que vivemos.

 

 

Finalizando relembro a frase do escritor Neil Smith: “O Iluminismo está morto, o Marxismo está morto, o movimento da classe trabalhadora está morto… e o autor também não se sente muito bem”.

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